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4.1.3. Mercado, roupa e um programa para a esquerda

De acordo com o Carbon Market Watch, entre 2008 e 2019, o comércio de carbono deu a ganhar 50 mil milhões de euros às empresas mais poluidoras da Europa, quase mil milhões em Portugal. Aconteceu através de três mecanismos: entrega de licenças gratuitas a grandes poluidores; compra de offset barato para venda de emissão; e, acima de tudo, pela passagem desses custos para os consumidores.

Este é o retrato real dos mecanismos de mercado na resposta climática: a criação de um novo ativo financeiro e a transferência de riqueza de consumidores para as grandes empresas poluidoras. É um fator de desigualdade social que premeia quem tem a responsabilidade histórica pelas emissões e que castiga a população que vive enquadrada num sistema económico em grande medida desenhado por essas super-empresas.

Imputar os custos da transição climática aos trabalhadores é garantir que ela fracassa e agravar injustiças.

Em 2022, o proprietário de parte de um grupo têxtil, um dos setores mais poluentes, recebeu 2.217 milhões de euros só em dividendos, que aplicou a adquirir imobiliário, contribuindo para outra crise, a dos preços da habitação.

As crises alimentam-se mutuamente. Para resolver a crise climática não é o mercado que trará a solução, são regras democráticas definidas pela população e uma mudança nos modelos de produção, distribuição e consumo.

Vejamos o caso dos combustíveis fósseis. As 5 maiores empresas petrolíferas ocidentais mais que duplicaram os seus lucros em 2022: 200 mil milhões de dólares. Mas, ao mesmo tempo, estavam a investir apenas 5% dos seus lucros em energia renovável.

Novamente, o mercado remunera imensamente cada negócio lesivo para o planeta. E é falso que esses lucros financiem a transição climática. É por isso que a regulação do mercado e a taxação de lucros são essenciais para concretizar a transição climática.

O Bloco propõe:

  • Abandonar o modelo de comércio de carbono, impondo limites imperativos para os países, para cada setor de atividade e para as empresas poluentes.

  • Um programa de intervenção massiva no edificado habitacional do país para garantir condições de isolamento, melhorando as condições de vida e reduzindo o gasto energético.

  • Taxação dos lucros excessivos das petrolíferas.

  • Criar um fluxo de resíduos dos têxteis de responsabilidade dos produtores.

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